Higiene no ginásio: os hábitos que evitam infeções de pele

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Treinar todos os dias também é proteger a pele

Um ginásio é um espaço partilhado, quente e húmido. Essa combinação é boa para o músculo e excelente para fungos e bactérias: os mesmos balneários, chuveiros e máquinas que tu usas são usados por centenas de pessoas todos os dias. Não é motivo de alarme, porque a imensa maioria das sessões não deixa mais do que dores musculares, mas é motivo para ter método. As infeções de pele do ginásio são conhecidas, previsíveis e, sobretudo, evitáveis com hábitos muito simples.

Quem treina o ano inteiro não se pode dar ao luxo de ficar duas semanas parado por causa de uma infeção evitável. Isto é o que convém saber.

As infeções que circulam de facto no ginásio

Pé de atleta (tinha do pé)

A mais comum. É um fungo que vive em pavimentos húmidos (chuveiros, balneários, beira da piscina) e se instala entre os dedos dos pés: comichão, descamação, fissuras. Transmite-se ao andar descalço sobre superfícies contaminadas, e a humidade que fica depois do banho abre-lhe a porta.

Tinha corporal e inguinal

O mesmo tipo de fungo, noutras zonas: manchas avermelhadas com o rebordo mais marcado, que dão comichão. Transmite-se por contacto com superfícies ou roupa contaminadas e prospera onde há fricção, calor e suor: virilhas, tronco, axilas.

Foliculite

Inflamação dos folículos pilosos, quase sempre causada por bactérias como o estafilococo. Surge como pequenas borbulhas vermelhas ou com ponta branca em zonas que estiveram em contacto com superfícies partilhadas (bancos, colchões, selins) ou maceradas por roupa suada que fica vestida demasiado tempo.

Verrugas plantares (papilomas)

Um vírus, não um fungo, mas o mesmo cenário: pavimentos húmidos e pés descalços. São incómodas, demoram a desaparecer e contagiam-se com facilidade.

Sete hábitos que as mantêm longe

1. Chinelos no chuveiro e no balneário, sempre

A medida mais rentável de toda a lista. O pé descalço nunca toca no chão do balneário nem na base do chuveiro. Sem exceções por pressa: o fungo não distingue os dias com pressa.

2. Banho cedo, secagem a fundo

O suor que fica horas sobre a pele macera-a e facilita o trabalho a bactérias e fungos. Toma banho quando acabares (no ginásio ou quando chegares a casa, mas cedo) e seca bem as zonas críticas: entre os dedos dos pés, virilhas, axilas. A humidade residual é o pormenor que quase toda a gente descura.

3. Roupa limpa em cada sessão, e fora assim que acabas

O equipamento usa-se uma vez e lava-se. Repetir a t-shirt «porque foi só uma sessão leve» é o caminho direto para a foliculite. E ficar com a roupa suada vestida (o café depois do treino, o trajeto longo) prolonga precisamente as condições que interessa cortar.

4. A tua toalha, a tua barreira

A toalha marca a fronteira entre a tua pele e as superfícies em que toda a gente toca: bancos, encostos, colchões. Para que essa barreira funcione, tem de cumprir duas regras. Uma: lava-se depois de cada utilização, sem exceção: uma toalha húmida esquecida na mochila cultiva exatamente aquilo que tentas evitar; os tecidos de secagem rápida, como a microfibra, deixam menos margem a esse problema. E duas: a toalha de treino e a toalha de banho são duas toalhas diferentes. A que passou pelo banco não toca na tua pele acabada de lavar.

5. Não partilhes o que toca na tua pele

Toalha, lâmina de barbear, sabonete, chinelos, roupa. Não importa a confiança: os dermatologistas repetem-no porque funciona. O que é pessoal, é pessoal.

6. Cobre qualquer ferida antes de treinar

Um corte ou uma esfoladela aberta é uma porta de entrada. Penso antes da sessão e, se a ferida for importante, é melhor evitar superfícies partilhadas até sarar.

7. Desinfeta a máquina antes e depois

O pulverizador e o papel que o ginásio disponibiliza não estão lá para decorar. Dez segundos antes de usares o equipamento e dez depois. Proteges a tua pele e a de quem vem a seguir.

Quando ir ao dermatologista

Se uma comichão, uma descamação ou umas borbulhas não melhoram em duas a quatro semanas com higiene e um antifúngico ou antisséptico de farmácia, ou se o problema volta uma e outra vez, é altura de marcar consulta. Automedicar-te durante meses só torna o problema crónico, e o objetivo é não perder semanas de treino, não disfarçá-las.

Em resumo

  • Os riscos reais: pé de atleta, tinha, foliculite e papilomas. Todos previsíveis, todos evitáveis.
  • Chinelos nas zonas húmidas e secagem a fundo, sobretudo entre os dedos.
  • Roupa limpa em cada sessão; banho cedo depois de treinar.
  • Toalha lavada depois de cada utilização, e uma para o banco e outra para o banho.
  • Nada pessoal se partilha; as feridas cobrem-se; as máquinas desinfetam-se.

A higiene não é uma formalidade do ginásio: é o que te permite voltar amanhã. A constância também se protege.